João Carlos Bacelar: Nossa Voz
 Secretário aponta os gargalos na Educação pública
 

 
Por Gusmão Neto
Quatro mandatos de vereador, duas vezes eleito deputado estadual e  presidente do Partido Trabalhista Nacional (PTN) é o currículo político  do atual chefe da Secretaria de Educação do Município de Salvador, João  Carlos Bacelar. Ele chegou na administração com uma promessa que causou  rebuliço: “revolucionar o sistema público de ensino da capital”. Como  ele pretende fazer isso? Você pode conferir nesta entrevista exclusiva  ao Teia de Notícias. Num bate-papo em seu gabinete, Bacelar abriu o jogo  e não escondeu que a educação pública brasileira é uma verdadeira  fábrica de gerar analfabetos. É com essa visão que ele pretende fazer  diferente e melhorar a vida dos alunos soteropolitanos. Nesta conversa, o  gestor falou ainda sobre política estadual e comentou sobre as  dificuldades do seu partido em integrar a base de apoio do governador  JaquesWagner. Disse, em primeira mão, que a aliança é praticamente  improvável.
Teia de Notícias: O senhor já está conseguindo fazer a tal  revolução na Educação que prometeu logo que assumiu a secretaria? Muita  gente ficou curiosa quando ouviu isso. Como é essa revolução?
Bacelar: Revolucionar a Educação Fundamental no  Brasil é simplesmente fazer com que todas as crianças de até oito anos  de idade saibam ler, escrever e calcular com proficiência. Infelizmente,  a rede municipal e todas as redes públicas no Brasil são uma fábrica de  produção do analfabetismo escolar. Cerca de 80% das nossas crianças  saem do 1º para o 2º ano analfabetas e 75% chegam ao 5º ano analfabetas.  Esses números mostram que esse sistema público é um sistema ineficiente  e perverso, que funciona como indutor do aumento das disparidades  sociais. Para isso, você tem que ter espaço físico adequado, professores  com bons salários, os 200 dias letivos cumpridos, o que nenhuma rede  pública brasileira consegue atingir os 200 dias, a verdade é essa,  exceto o município de Mata de São João, mas em via de regra não  atingimos esse número.
Teia: Então revolucionar é fazer o feijão com arroz?
Bacelar: É exatamente fazer o feijão com arroz  mesmo. É fazer com que as crianças estejam na série adequada, com idade  adequada e que tenha eficiência.
Teia: Então por quê será que ninguém consegue fazer esse  feijão com arroz? Você tem alguma carta nas mangas para conseguir esse  feito?
Bacelar: Eu tenho o apoio político do prefeito João  Henrique, que está garantindo os recursos financeiros necessários para  fazer a revolução. Repare: um sistema político, em que o chefe do  Executivo se queixa que usar os 25% da Educação e os 15% da Saúde são um  entrave para administração. Logo, esse é um sistema que tem algo errado  na sua base. Se a lei diz que você deve investir essa quantia nos dois  setores e as lideranças dos municípios fazem de tudo para burlar a lei,  tem algo de errado e infelizmente é a realidade da nossa sociedade  brasileira. Mas aqui em Salvador o prefeito garantiu para 2011 os 25% da  Educação e os 15% da Saúde.

Teia: Secretário, você acredita que vai chegar o dia em que Salvador não terá mais problema com falta de professor nas escolas?
Bacelar: Hoje nós temos um déficit de mil  professores na rede. Esse déficit a gente tenta cobrir com a monitoria  do estágio, que não é a solução adequada, é um remendo, um arranjo. Mas  ressalto aqui que João Henrique é o prefeito na história do Salvador que  nomeou o maior número de professores, o maior número de coordenadores  pedagógicos. Estamos agora na expectativa de nomear mais 1,3 mil  professores, 300 merendeiras e 200 coordenadores pedagógicos, isso até  esse mês de junho. Efetivando isso, nós teremos uma rede funcionando a  contento do ponto de vista do numero de professores em sala de aula.
Teia: Outra cobrança que já virou clichê é sobre a rede física escolar. Quando ela ficará boa? É possível?
Bacelar: Esse aí é o maior estrangulamento. Nós  temos hoje 421 unidades na rede e a maioria está em prédios muito  antigos, prédios que passaram um ano sem qualquer tipo de manutenção,  prédios que originalmente a destinação não era para a escola. Temos uma  rede praticamente deteriorada. Para se ter uma ideia, nós temos hoje 152  unidades abaixo do crítico. Temos 147 unidades em situação crítica.  Estamos reformando hoje 61 escolas, já licitamos 27 e está em processo  de licitação outras 30. Estamos ainda construindo quatro escolas novas. O  prefeito está garantindo os recursos e até o final do ano nós vamos  recuperar as 421 escolas da rede. Nós estamos trabalhando muito esse ano  para que em 2012 Salvador tenha um bom processo na rede municipal de  ensino.
Teia: Até porque 2012 é ano eleitoral, não é?
Bacelar: Não, meu caro Gusmão. Não por ser um ano  eleitoral. É porque as medidas, principalmente na área da construção  civil, as coisas não se resolvem no estalar dos dedos. Isso leva um  período para que você consiga recuperar uma unidade física, entende?

Teia: Quanto à alimentação escolar, o senhor tem dito que  atrapalha o fato de os contratos com fornecimento de merenda serem  descentralizados e pretende concentrar essa distribuição. Como é isso? 
Bacelar: Nós vamos experimentar. Repare, a  descentralização da merenda tem suas vantagens, tanto que a prefeitura  vinha adotando essa medida até então. Por outro lado, a merenda  descentralizada traz dois graves problemas. Primeiro é um problema de  controle. Como é que eu posso garantir que a diretora de uma escola vai  ter tempo de pesar aquele alimento, para saber se a quantidade que  recebeu é uma quantidade adequada? O segundo problema é sobre o que a  rede chama de descasamento. Como é uma entrega descentralizada e temos  fornecedores diversos, pode chegarna escola o suco hoje e o açúcar só 24  horas depois. Pode chegar a carne hoje e o tempero 48 horas depois.  Isso tem acontecido e é por isso que vamos mudar. Vamos montar um  almoxarifado central para centralizar a distribuição da merenda. Hoje a  empresa que fornece, ela também distribui. A ideia é retomar a logística  de entrega.
Teia: Secretário, vocês estão atentos às denúncias de que  existem professores e gestores acusados de maus tratos com os alunos,  alguns dos casos envolvendo até homofobia?
Bacelar: Olha, nós temos um número de funcionários  extenso. Nós temos na rede, mais de 5 mil professores, o que gera uma  diversidade de capacidade e de maneiras de atuação. Eu costumo dizer que  o professor da rede municipal é um herói, porque segura o ensino mesmo  com todas as precariedades. As escolas municipais são muito próximas das  comunidades e atuam no desenvolvimento de crianças, muitas delas sem o  convívio familiar. A unidade pública passa a ser a referência. Então eu  defendo esse método de atuação do professor, com o comprometimento  necessário.

Teia: Agora falando um pouco mais de política, está sendo fácil trabalhar com João Henrique?
Bacelar: Ahhh, está sendo facílimo, uma excelente  experiência. O prefeito é um democrata. Ele ouve, participa, tem uma  maneira muito educada de cobrar. Ele dá tranqüilidade aos seus  assessores. Além disso, o prefeito tem um envolvimento muito grande com a  cidade, uma identificação muito grande com a população, principalmente a  mais pobre. Ele tem uma equipe harmônica e competente, por isso digo  que é fácil trabalhar com ele.
Teia: Alguns políticos que romperam com João e antes faziam  parte da gestão reclamam da interferência da primeira-dama Maria Luiza  nas secretarias. Isso ocorre na Secult?
Bacelar: (risos) Infelizmente não. Eu queria uma  interferência maior da deputada Maria Luiza como espero dos demais  deputados que são de partidos da base do prefeito. Na verdade isso não  existe, pelo menos no meu caso. Isso que dizem é uma falácia, uma  mentira.

Teia: O que está pegando para o PTN firmar aliança com o Governo do Estado?
Bacelar: Os deputados estaduais do PTN foram eleitos  pela oposição e continuam fazendo oposição ao governo. Eu diria que é a  bancada que faz a mais eficiente oposição à administração estadual.  Ocorre que temos interesses conflitantes nas regiões que representamos  na Assembleia. Nós temos o deputado mais votado em Feira de Santana (se  refere a Carlos Geilson), e os que ficaram entre os mais votados em  Irecê (Luizinho Sobral) e Itabuna (Coronel Santana). São nomes que  naturalmente podem ser candidatos à prefeitura. Então isso gera  conflito. Nossa bancada é unida e tomamos decisões em conjunto. Hoje o  consenso é de que devemos continuar como estamos. A cada dia fica mais  difícil essa aliança.
Teia: Muita gente estava pagando para ver o deputado João  Carlos Bacelar subindo na tribuna para defender um grupo que você sempre  detonou. O senhor acha que ficaria confortável em aliança com PT?
Bacelar: Olha, eu integro uma administração cujo  prefeito faz parte da base de apoio ao governador. Então isso faz com  que eu tenha muito cuidado com os meus posicionamentos. Agora é  importante frisar que eu estou em uma função administrativa e preciso  ficar alinhado ao governo através da Secretaria Estadual de  Administração para fortalecer a parceria e garantir recursos.
Fonte: Teia de Notícias

Secretário aponta os gargalos na Educação pública

 

Por Gusmão Neto

Quatro mandatos de vereador, duas vezes eleito deputado estadual e presidente do Partido Trabalhista Nacional (PTN) é o currículo político do atual chefe da Secretaria de Educação do Município de Salvador, João Carlos Bacelar. Ele chegou na administração com uma promessa que causou rebuliço: “revolucionar o sistema público de ensino da capital”. Como ele pretende fazer isso? Você pode conferir nesta entrevista exclusiva ao Teia de Notícias. Num bate-papo em seu gabinete, Bacelar abriu o jogo e não escondeu que a educação pública brasileira é uma verdadeira fábrica de gerar analfabetos. É com essa visão que ele pretende fazer diferente e melhorar a vida dos alunos soteropolitanos. Nesta conversa, o gestor falou ainda sobre política estadual e comentou sobre as dificuldades do seu partido em integrar a base de apoio do governador JaquesWagner. Disse, em primeira mão, que a aliança é praticamente improvável.

Teia de Notícias: O senhor já está conseguindo fazer a tal revolução na Educação que prometeu logo que assumiu a secretaria? Muita gente ficou curiosa quando ouviu isso. Como é essa revolução?

Bacelar: Revolucionar a Educação Fundamental no Brasil é simplesmente fazer com que todas as crianças de até oito anos de idade saibam ler, escrever e calcular com proficiência. Infelizmente, a rede municipal e todas as redes públicas no Brasil são uma fábrica de produção do analfabetismo escolar. Cerca de 80% das nossas crianças saem do 1º para o 2º ano analfabetas e 75% chegam ao 5º ano analfabetas. Esses números mostram que esse sistema público é um sistema ineficiente e perverso, que funciona como indutor do aumento das disparidades sociais. Para isso, você tem que ter espaço físico adequado, professores com bons salários, os 200 dias letivos cumpridos, o que nenhuma rede pública brasileira consegue atingir os 200 dias, a verdade é essa, exceto o município de Mata de São João, mas em via de regra não atingimos esse número.

Teia: Então revolucionar é fazer o feijão com arroz?

Bacelar: É exatamente fazer o feijão com arroz mesmo. É fazer com que as crianças estejam na série adequada, com idade adequada e que tenha eficiência.

Teia: Então por quê será que ninguém consegue fazer esse feijão com arroz? Você tem alguma carta nas mangas para conseguir esse feito?

Bacelar: Eu tenho o apoio político do prefeito João Henrique, que está garantindo os recursos financeiros necessários para fazer a revolução. Repare: um sistema político, em que o chefe do Executivo se queixa que usar os 25% da Educação e os 15% da Saúde são um entrave para administração. Logo, esse é um sistema que tem algo errado na sua base. Se a lei diz que você deve investir essa quantia nos dois setores e as lideranças dos municípios fazem de tudo para burlar a lei, tem algo de errado e infelizmente é a realidade da nossa sociedade brasileira. Mas aqui em Salvador o prefeito garantiu para 2011 os 25% da Educação e os 15% da Saúde.


Teia: Secretário, você acredita que vai chegar o dia em que Salvador não terá mais problema com falta de professor nas escolas?

Bacelar: Hoje nós temos um déficit de mil professores na rede. Esse déficit a gente tenta cobrir com a monitoria do estágio, que não é a solução adequada, é um remendo, um arranjo. Mas ressalto aqui que João Henrique é o prefeito na história do Salvador que nomeou o maior número de professores, o maior número de coordenadores pedagógicos. Estamos agora na expectativa de nomear mais 1,3 mil professores, 300 merendeiras e 200 coordenadores pedagógicos, isso até esse mês de junho. Efetivando isso, nós teremos uma rede funcionando a contento do ponto de vista do numero de professores em sala de aula.

Teia: Outra cobrança que já virou clichê é sobre a rede física escolar. Quando ela ficará boa? É possível?

Bacelar: Esse aí é o maior estrangulamento. Nós temos hoje 421 unidades na rede e a maioria está em prédios muito antigos, prédios que passaram um ano sem qualquer tipo de manutenção, prédios que originalmente a destinação não era para a escola. Temos uma rede praticamente deteriorada. Para se ter uma ideia, nós temos hoje 152 unidades abaixo do crítico. Temos 147 unidades em situação crítica. Estamos reformando hoje 61 escolas, já licitamos 27 e está em processo de licitação outras 30. Estamos ainda construindo quatro escolas novas. O prefeito está garantindo os recursos e até o final do ano nós vamos recuperar as 421 escolas da rede. Nós estamos trabalhando muito esse ano para que em 2012 Salvador tenha um bom processo na rede municipal de ensino.

Teia: Até porque 2012 é ano eleitoral, não é?

Bacelar: Não, meu caro Gusmão. Não por ser um ano eleitoral. É porque as medidas, principalmente na área da construção civil, as coisas não se resolvem no estalar dos dedos. Isso leva um período para que você consiga recuperar uma unidade física, entende?


Teia: Quanto à alimentação escolar, o senhor tem dito que atrapalha o fato de os contratos com fornecimento de merenda serem descentralizados e pretende concentrar essa distribuição. Como é isso?

Bacelar: Nós vamos experimentar. Repare, a descentralização da merenda tem suas vantagens, tanto que a prefeitura vinha adotando essa medida até então. Por outro lado, a merenda descentralizada traz dois graves problemas. Primeiro é um problema de controle. Como é que eu posso garantir que a diretora de uma escola vai ter tempo de pesar aquele alimento, para saber se a quantidade que recebeu é uma quantidade adequada? O segundo problema é sobre o que a rede chama de descasamento. Como é uma entrega descentralizada e temos fornecedores diversos, pode chegarna escola o suco hoje e o açúcar só 24 horas depois. Pode chegar a carne hoje e o tempero 48 horas depois. Isso tem acontecido e é por isso que vamos mudar. Vamos montar um almoxarifado central para centralizar a distribuição da merenda. Hoje a empresa que fornece, ela também distribui. A ideia é retomar a logística de entrega.

Teia: Secretário, vocês estão atentos às denúncias de que existem professores e gestores acusados de maus tratos com os alunos, alguns dos casos envolvendo até homofobia?

Bacelar: Olha, nós temos um número de funcionários extenso. Nós temos na rede, mais de 5 mil professores, o que gera uma diversidade de capacidade e de maneiras de atuação. Eu costumo dizer que o professor da rede municipal é um herói, porque segura o ensino mesmo com todas as precariedades. As escolas municipais são muito próximas das comunidades e atuam no desenvolvimento de crianças, muitas delas sem o convívio familiar. A unidade pública passa a ser a referência. Então eu defendo esse método de atuação do professor, com o comprometimento necessário.


Teia: Agora falando um pouco mais de política, está sendo fácil trabalhar com João Henrique?

Bacelar: Ahhh, está sendo facílimo, uma excelente experiência. O prefeito é um democrata. Ele ouve, participa, tem uma maneira muito educada de cobrar. Ele dá tranqüilidade aos seus assessores. Além disso, o prefeito tem um envolvimento muito grande com a cidade, uma identificação muito grande com a população, principalmente a mais pobre. Ele tem uma equipe harmônica e competente, por isso digo que é fácil trabalhar com ele.

Teia: Alguns políticos que romperam com João e antes faziam parte da gestão reclamam da interferência da primeira-dama Maria Luiza nas secretarias. Isso ocorre na Secult?

Bacelar: (risos) Infelizmente não. Eu queria uma interferência maior da deputada Maria Luiza como espero dos demais deputados que são de partidos da base do prefeito. Na verdade isso não existe, pelo menos no meu caso. Isso que dizem é uma falácia, uma mentira.


Teia: O que está pegando para o PTN firmar aliança com o Governo do Estado?

Bacelar: Os deputados estaduais do PTN foram eleitos pela oposição e continuam fazendo oposição ao governo. Eu diria que é a bancada que faz a mais eficiente oposição à administração estadual. Ocorre que temos interesses conflitantes nas regiões que representamos na Assembleia. Nós temos o deputado mais votado em Feira de Santana (se refere a Carlos Geilson), e os que ficaram entre os mais votados em Irecê (Luizinho Sobral) e Itabuna (Coronel Santana). São nomes que naturalmente podem ser candidatos à prefeitura. Então isso gera conflito. Nossa bancada é unida e tomamos decisões em conjunto. Hoje o consenso é de que devemos continuar como estamos. A cada dia fica mais difícil essa aliança.

Teia: Muita gente estava pagando para ver o deputado João Carlos Bacelar subindo na tribuna para defender um grupo que você sempre detonou. O senhor acha que ficaria confortável em aliança com PT?

Bacelar: Olha, eu integro uma administração cujo prefeito faz parte da base de apoio ao governador. Então isso faz com que eu tenha muito cuidado com os meus posicionamentos. Agora é importante frisar que eu estou em uma função administrativa e preciso ficar alinhado ao governo através da Secretaria Estadual de Administração para fortalecer a parceria e garantir recursos.

Fonte: Teia de Notícias

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